O engraçado é quando você percebe que não tem controle de tudo, que existem coisas que regem sua vida, queira você ou não, e que é apenas uma condição a mais para a sua existência. Ou você se adapta a essa condição ou você morre.
Quando ele se viu nessa situação, onde nada dependia dele, onde o controle não o pertencia mais, foi como se ele mesmo não existisse, pois não conseguia mudar, dependia de um milagre. O pior de tudo não era o milagre esperado e sim ter que se fazer de forte para não ser merecedor da pena alheia.
Naquele dia, antes de abrir aquele envelope, sabia muito bem que sua vida jamais seria a mesma, independente do que tivesse ali escrito. O impacto de saber que não tinha controle de sua vida foi tão grande, tão devastador que pouco importava se ele iria viver mais seis meses ou mais cinqüenta anos, o principal era saber que ele não era o mesmo. Não via as pessoas da mesma forma. Algumas não conseguiam presenciar aquela tragédia e simplesmente se foram, outras padeciam com aquela possibilidade terrível da morte e ele, que era a “vítima” tinha que consolá-las, tinha era de ser forte.
O que acontece é que milagres existem, e ao abrir aquele envelope ele havia sido contemplado. Não pelo resultado, pois não interessava mais se ele viveria seis meses ou cinqüenta anos, o que interessava para ele naquele momento é que ele queria viver e, assim, viveu, querendo.
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