Ela nem sabe o que quer. Tem horas que quer ser amada como rainha, porém mantém os caprichos de uma princesa. Dias desses, ela estava em casa de mau humor e fazendo café amargo, e ficou pensando que não tinha prazer em vê-lo daquele jeito, articulado, feliz, socialmente querido, boa companhia e o que mais a irritava era que ele fazia isso tudo a amando. Queria que ele ao menos a desprezasse, um pouquinho, um pouquinho que fosse, mas ele dava a atenção que uma rainha pedia. Queria que ele falasse que não sabia sobre o que estava acontecendo na política, mas ele era sedutoramente apaixonado pelos acontecimentos mundiais. Ela gostava de falar de doces e coisas de casa e ele ficava olhando e sorrindo apaixonadamente quando ela descrevia como era feito o doce bem casado, aquilo a irritou mais. Se sentiu mal quando, em sua cabeça, fez essa comparação e achou-se inferior, mas depois sentiu raiva e foi até ao quarto para cima dele com fúria e disse que ele deveria escolher, ou do jeito dela ou ela iria para o mundo. Ele a amava tanto que a deixou ir para o mundo, mas quando ela se viu livre, pronta para ir para o grande mundo, percebeu que se distanciaria do seu mundo. Ela olhou para ele, não como rainha, mas como plebéia e o convidou para tomar o café da manhã. Naquele dia eles fizeram amor no mundo que pertencia somente aos dois.
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