Ele sempre observava o carinho com que a mãe cuidava das galinhas. Chegava até a sentir um pouquinho de
ciúmes com aquela distribuição de atenção dada àqueles seres, cuja classificação não era outra a não ser inferior. O desprezo era enorme, especialmente para aquela dali, que tinha um pescoço comprido e um andar suave. Um dia, quando ele estava sozinho no quintal, olhando para as galinhas, aquela de que ele tanto odiava ( aquela de pescoço comprido e andar suave) o encarou com um olhar mórbido. Ele sentiu-se ameaçado e com raiva porque aquele ser inferior o encarou. Pensou logo em se vingar. Correu até a cozinha e pegou o tubo de mostarda que estava dentro da geladeira e quando voltou, aquela criatura feia estava no mesmo lugar o esperando para o duelo.
Ele fingiu-se de bonzinho e começou raspar os dedos e emitir o som parecido com o das galinhas:
_Prrruuu...Prrruuu...Prrruuu
A galinha era mais corajosa do que ele podia prever. Aproximou-se com toda a classe que era peculiar a uma galinha. Ele mirou o tubo de mostarda bem no bico. Queria que ela sentisse o gosto amargo da mostarda. Já estava pronto para atirar, mas com um forte arranco sentiu o tubo de mostarda escapar de suas mãos.
Era sua mãe...
_O que você ia fazer moleque? Ia jogar mostarda na pobre da galinha?
Ele nem conseguiu responder. Sua mãe o pegou pelos braços e o segurou pelo rosto apertando bem forte
até que ele abrisse totalmente a boca e, sem pena espremeu o tubo de mostarda. Tinha muita coisa amarela em sua língua. Ele não conseguia acreditar como a sua própria mãe havia feito aquilo.
Foi quando ela finalizou:
_A maldade também é amarga. Hoje a galinha venceu.
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