O mundo inteiro tentava se achar, se realizar, tanto financeiramente quanto amorosamente, porém ela queria se perder. Perder-se para encontrar um novo norte de existência, mas o que ela não queria mesmo era encontrar-se. Achou que tinha ido longe demais à tentativa de desconhecer o que de fato era conhecido.
Como queria se reconhecer, então resolveu se perder. Perdeu-se de tudo. Perdeu-se dos amigos, do trabalho, dos amores e de repente, havia se perdido de si.
Havia perdido demais de si, isso fez com que o sentido de se perder também perdesse o sentido. Veio então do desejo de tocar-se bem forte e de olhos bem abertos, esse desejo surgiu às seis da manhã e dessa vez ela não se levantou rapidamente com nos últimos tempos. Tocando-se foi voltando ao momento em que havia começado aquele sofrimento, mas não conseguiu. Passou então a acreditar que havia nascido junto com aquela latente dor e aquilo seria eterno.
Sentiu-se ociosa e ficou pensando em quantos dias mais a lembrança de si, daquilo que era, iria assombrá-la. Sentia o eco de algo muito forte que a pouco foi esvaindo. Desejou a morte, desejou o amor e morreu várias vezes quando sentiu seus amores. Apertou-se mais forte, tentava em si descobrir a fórmula desses não amores e se via viva, isso a atormentava. Sentiu-se queimando, achou que aquilo não ia passar. Rolou na cama e se viu nova, mas estava de mãos atadas, porém dadas com a incontrolável vontade de acreditar. Sentiu-se ferver. Parecia ali, que estava em fundição com algo que havia se implantado propositalmente nela, na alma dela. Sentiu então um transbordamento de si e lembrou-se quando leu: “que o Deus da esperança vos cumule de alegria e paz na fé”.
Ela não sabia se ela era ela, a mulher ou se era ela, a esperança. Somente quis caminhar queimando, fervendo e transbordando. Não se preocupou com o silêncio e nem com o eco, apenas caminhou e se foi, assim...sozinha...
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