terça-feira, 3 de maio de 2011

Silêncio

Quando ela foi para a rodoviária carregando aquelas malas pesadas, queria buscar algo mais leve do que seus pensamentos. Sentia-se amedrontada, por isso estava indo para longe. Queria esquecer um pouco da sua vida, do emprego, dele que nunca ligava, do seu quarto onde passava a maior parte do tempo sozinha.
Queria sentir a quentura da vida, coisa que há muito tempo se esquecera, mas ali, naquele quarto, naquela cidade, naquele trânsito não conseguia. Quando entrou no ônibus inclinou a cadeira e colocou o fone nos ouvidos e ouviu aquela cantora que compôs "esquadros". Sentiu-se confusa ao se lembrar da última conversa em que ele chorou, não sabia o que fazer, pois não conseguia estar com ele, mas queria que ele estivesse com ela. Ao desembarcar sentiu-se em casa, mas não tinha as chaves, os problemas a trancavam naquela capital. Viu sua mãe de longe a esperá-la, há muito tempo não via ninguém em sua espera. Foi um abraço gostoso, de saudade e conforto. Quando chegou em casa, o seu quarto, de quando ainda era menina estava la, a esperando, como se ela nunca tivesse partido, o almoço estava quente, tinha verduras e legumes, e tinha o tempero da mãe, que era muito bom. Depois do almoço deitou-se e cochilou, só foi acordar quando sentiu uma massagem deliciosa nos pés, era sua mãe. Olhou para o lado e viu suas flores prediletas, margaridas.
Apesar da massagem, da comida, das flores, ela não queria estar ali, queria estar com ele, mas ele não dava notícias, não atendia o telefone, não explicava nada, apenas ficava em silêncio. Era o silêncio que a matava aos poucos. Se sentia ferida, achava que o não falar era o pior castigo. Foi por isso que ela viajou, para não pensar nesse silêncio, porém o silêncio era tão gritante que ela poderia ir para marte que lá estaria  ele a pertubando.
Ela queria que pelo menos ele a mandasse embora, mas com silêncio ele preferiu a matar aos poucos, sutilmente e isto realmente estava acontecendo. Após uma semana de reclusão ele a ligou. Queria vê-la. Imediatamente ela voltou para a capital. Quando chegou na rodoviária ele estava lá, ela sorriu ao vê-lo, ele a abraçou. Após uma longa conversa ele disse que não dava mais. Ela não ficou triste, ficou feliz, pois ele a havia libertado daquele silêncio. Então ela voltou a viver.

2 comentários:

  1. Vejo os escritores como uma das flores mais lindas e invejadas pela sua beleza e macies!"Te vi cravo;hoje te vejo ROSA!"...Seus textos estão cada dia mais excelentes! =)

    By: Rodrigo Knupp

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  2. Vc é uma pessoa maravilhosa... tenho muito orgulho em ser sua amiga.
    Sucesso sempre. Beijos Raquel.

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