terça-feira, 19 de abril de 2011

Ebulição

O mundo inteiro tentava se achar, se realizar, tanto financeiramente quanto amorosamente, porém ela queria se perder. Perder-se para encontrar um novo norte de existência, mas o que ela não queria mesmo era encontrar-se. Achou que tinha ido longe demais à tentativa de desconhecer o que de fato era conhecido.
Como queria se reconhecer, então resolveu se perder. Perdeu-se de tudo. Perdeu-se dos amigos, do trabalho, dos amores e de repente, havia se perdido de si.
Havia perdido demais de si, isso fez com que o sentido de se perder também perdesse o sentido. Veio então do desejo de tocar-se bem forte e de olhos bem abertos, esse desejo surgiu às seis da manhã e dessa vez ela não se levantou rapidamente com nos últimos tempos. Tocando-se foi voltando ao momento em que havia começado aquele sofrimento, mas não conseguiu. Passou então a acreditar que havia nascido junto com aquela latente dor e aquilo seria eterno.
Sentiu-se ociosa e ficou pensando em quantos dias mais a lembrança de si, daquilo que era, iria assombrá-la. Sentia o eco de algo muito forte que a pouco foi esvaindo. Desejou a morte, desejou o amor e morreu várias vezes quando sentiu seus amores. Apertou-se mais forte, tentava em si descobrir a fórmula desses não amores e se via viva, isso a atormentava. Sentiu-se queimando, achou que aquilo não ia passar. Rolou na cama e se viu nova, mas estava de mãos atadas, porém dadas com a incontrolável vontade de acreditar. Sentiu-se ferver. Parecia ali, que estava em fundição com algo que havia se implantado propositalmente nela, na alma dela. Sentiu então um transbordamento de si e lembrou-se quando leu: “que o Deus da esperança vos cumule de alegria e paz na fé”.
Ela não sabia se ela era ela, a mulher ou se era ela, a esperança. Somente quis caminhar queimando, fervendo e transbordando. Não se preocupou com o silêncio e nem com o eco, apenas caminhou e se foi, assim...sozinha...

sábado, 16 de abril de 2011

Verdades e mentiras

Muita cerveja, algumas tequilas, muitos casos antigos, muitos casos novos e muita felicidade. Quando todos já estavam um pouco mais “autos” resolveram ir para a pista de dança, e lá dançaram. Ela simplesmente fechou os olhos e sentiu a musica, estava vibrando. Ficou assim por algum tempo, sentindo-se e sentindo a música. Quando ela abriu os olhos não o viu em sua frente, mas o mirou de longe. Tudo ficou em silêncio em sua mente. Era como se ela não visse mais ninguém ao seu lado e nem ouvisse nada. O foco foi somente ele. Ela não teve reação ao ver aquele beijo. Simplesmente saiu. Não conseguiu nem chorar. Pegou o carro e foi pra Praça do Papa. Ficou olhando a cidade. Não chorou. Não teve raiva. Ficou pensando na mentira. A mentira que vivia. A mentira dele. A mentira dela. Mas pensou mesmo na verdade. A verdade é que ele não a amava, gostava dela e a achava gostosa. A verdade é que ela o achava fraco, porém bem sucedido, e gostava dele. A verdade de que ela não era mais uma menina inconseqüente e sim uma mulher. Passou a noite ali pensando, e pensando viu o dia amanhecer. Foi pra casa e quando chegou ele estava aflito,  deu um salto do sofá e a abraçou. Pediu perdão. Ela perdoou, mas não pelas verdades ou mentiras da vida de ambos. Ela o perdoou porque queria aquela vida. Queria ser feliz e aceitou que as pessoas erram, principalmente quando há tantas verdades e mentiras envolvidas numa relação. Ela o abraçou, sorriu e o convidou para tomar o café da manhã. Os dois tomaram o café em silêncio, apenas se olhando. Ali estavam se olhando como se estivessem fazendo um acordo: de que viveriam felizes e juntos. E apesar de tantas verdades e mentiras eles conseguiram e estão juntos...

sábado, 9 de abril de 2011

Paisagens


Sua beleza era somente reconhecida em seus maiores momentos de desespero, ficava intrínseca como fases cíclicas de seus desesperos. Os outros a olhavam como se nada fosse. No verão não conseguia promover sombra alguma, pois não tinha flores, mas apesar de tanta beleza parada, não era o suficiente, posto que era temporário. Nunca, em tempo algum pode ler algum poema de inverno que a remetesse em suas folhagens como cenário, apenas o vento tentava a inclinar, mas ela o abandonava. Os olhares passavam despercebidos, como se a única função fosse figurar uma paisagem que já estava composta. Via-se só, até que certo dia, um jovenzinho que passava por ali, assim como ela, sozinho e sem brilho, porém belo a viu. Os dois se apaixonaram, como nos contos e foram felizes, compondo suas próprias paisagens.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Meus músculos, my heart...

A cada olhar da morte, uma lágrima vai ao chão.
A cada grito, um silêncio maior toma conta de mim.
Estou barbudo e a espera de um milagre.

I´m feeling all of my muscles hurt, Including the heart…

Neste momento não me sinto feliz, 
porém há uma pequena luz à direita, talvez depois daquela travessia. 

Para onde foram nossas crianças?

Deveriam brincar mais, deveriam nos ensinar mais, sei que elas nos ensinariam que já morremos demais, já matamos demais e precisamos viver mais, mas elas foram caladas.

I´m feeling all of my muscles hurt, Including the heart… 

Apenas isso... Somente isso...

terça-feira, 5 de abril de 2011

A separação

Ela o deixou contar a história que ele quisesse, não quis interferir. Somente ela sabia como sua alma estava triturada, mas mesmo assim ela sorria, mas percebia que tinha que tirar forças, sabe Deus de onde, para poder sair daquela solidão. Não aguentava os apontamentos que ele fazia, porém não os evitava. Somente os dois conheciam a verdade, mas ela não queria compartilhar a verdade com ninguém, deixou a verdade dele prevalecer. Todos a olhavam com desconfiança, com julgamento, mas ela sabia o quanto o amava e por isso não quis discutir, ele também sabia disso, por isso estava conseguindo destruí-la...

sábado, 2 de abril de 2011

Quando a porta se abriu

Antes de ouvir o barulho da porta abrindo ela não conseguiu dizer uma só palavra, apenas seu olhar suplicava para que ele não fosse, mas ela era orgulhosa demais, não pediu perdão, não disse que o amava e que queria viver com ele até ficar velhinha. Ao ouvir a porta se fechar conseguiu apenas ficar de joelhos dobrados com a cabeça no chão e não conseguia parar de chorar. Não queria comemorar sozinha, mas sabia que ele não voltaria, pois ele também era orgulhoso. Durante três horas ela ficou chorando naquela posição e subitamente começou a gritar e a quebrar tudo no quarto. Rasgou as fotos dos dois na praia, jogou as camisas dele no lixo, pegou o celular e ligou imediatamente para ele, estava completamente alterada, completamente histérica e aos gritos disse que iria sair, beber e dar para o primeiro cara que aparecesse. Ele não respondeu, apenas desligou. Ela não conseguiu parar de chorar, e novamente no chão chorou compulsivamente, não conseguindo cumprir sua promessa de beber, dançar e trepar. Ele sumiu no mundo e nada mais.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

conversa nossa

... mas eu nao gosto de gostar, tenho medo e esse medo me deixa completamente desequilibrado...