quinta-feira, 17 de maio de 2012

Toda tragédia é poesia

O medo que a atormentava era o fato de ter escolhido se calar. E por muito tempo o silêncio ou o sorriso amarelo a acompanhou. O mais difícil era controlar a dor, muitas vezes era tão latente que a sufocava e quando o grito ameaçava a sair, ela sorria.

A dor era tamanha que nenhum ser vivente imagina o que é viver, apenas vive. Vez ou outra ela não se controlava e soltava as percepções mundanas. Sempre era uma catarse para ela e um holocausto para os ouvintes, mas ela dizia.



 A vida colocava as palavras ácidas em seu sorriso amarelo e em seu silêncio questionador. Ela sempre pensava na dor, e querer passar pela dor de viver com dignidade exigia muitos sorrisos amarelos, ou uma morte poética, do tipo estricnina no vinho ou mãos na serpente, porém ela queria testar seus limites, ver até essa dor seria lacerante.


Pouco a pouco ela se perdia, perdia um pedaço de si ali, uma grande parcela de si aqui e quando se viu, percebeu que se esvaia e que não havia nada de si, apenas o sorriso amarelo e a dor.


Foi quando ela se deitou na cama, sem fôlego, ofegante. Respirou fundo e  relaxou.


Pensou, pensou, pensou, pensou... e sorriu...

Concluiu: “Há beleza na tragédia, eu estou viva.” Assim, ela dormiu em paz. Naquela noite...

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