Toda tragédia é poesia
O medo que a atormentava era o fato de ter escolhido se
calar. E por muito tempo o silêncio ou o sorriso amarelo a acompanhou. O mais
difícil era controlar a dor, muitas vezes era tão latente que a sufocava e
quando o grito ameaçava a sair, ela sorria.
A dor era tamanha que nenhum ser vivente imagina o que é
viver, apenas vive. Vez ou outra ela não se controlava e soltava as percepções mundanas.
Sempre era uma catarse para ela e um holocausto para os ouvintes, mas ela
dizia.
A vida colocava as
palavras ácidas em seu sorriso amarelo e em seu silêncio questionador. Ela sempre
pensava na dor, e querer passar pela dor de viver com dignidade exigia muitos
sorrisos amarelos, ou uma morte poética, do tipo estricnina no vinho ou mãos na
serpente, porém ela queria testar seus limites, ver até essa dor seria lacerante.
Pouco a pouco ela se perdia, perdia um pedaço de si ali, uma
grande parcela de si aqui e quando se viu, percebeu que se esvaia e que não
havia nada de si, apenas o sorriso amarelo e a dor.
Foi quando ela se deitou na cama, sem fôlego, ofegante. Respirou
fundo e relaxou.
Pensou, pensou, pensou, pensou... e sorriu...
Concluiu: “Há beleza na tragédia, eu estou viva.” Assim, ela
dormiu em paz. Naquela noite...
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