Foi através da dor que ele se viu crescendo. Não sabia de onde vinha aquela dor e nem aonde doía. Talvez a dor da alma ataque algum lugar que não conseguimos tocar. Ele já não aguentava mais ficar pelos cantos. Geralmente escolhia lugares escuros e sem ventilação. Era como se fosse para abafar sua existência. Ali enchia o ambiente com cheiro de cigarro e bebidas. A barba estava enorme. Os cabelos desgrenhados. A cor da pele lembrava o mofo. Os olhos eram mais fundos que a escuridão dos ambientes que tentava se esconder. A sua única companhia eram seus pensamentos. Entre um trago e outro tentava bloquear esses pensamentos. Estava à beira da loucura. Queria dormir eternamente, mas sua mente o mantinha acordado. Em meio ao caos conseguiu rezar. Pediu ao deus que enviasse um anjo para salvá-lo. Começou a sentir-se cansado. Arrastando-se encolheu no canto mais escuro do quarto. Colocou um punhado de comprimidos para dormir nas mãos. Encheu o copo de cerveja quente e com um gole engoliu todos os comprimidos. Por três dias dormiu. Em meio a escuridão, uma fresta de luz passou pela janela e foi direto no rosto dele. Ele que estava deitado no chão frio há três dias, na completa escuridão, sentiu o calor da vida. Olhou ao seu redor e só viu escuridão, fumaça, latas de cerveja e roupas sujas espalhadas pelo chão. Aquela fresta de luz lhe lembrou o sabor da vida. Levantou-se e foi para o banheiro. Ligou o chuveiro na temperatura mais quente. Deixou o vapor subir. O espelho do banheiro estava embaçado. Ele pegou a toalha e passou de modo que visse somente o seu rosto. Preparou a espuma e passou na barba cheia e ruiva. Começou a desvendar seu rosto. Cada vez que seu rosto se iluminava frente ao espelho embaçado mais forte ficava a sensação daquele feriado de Corpus Christi.
Naquele feriado ele tinha se decidido. Iria se despedir de seus pais. Viajou quatro horas e chegou sorridente. Pediu bênção ao pai, bênção a mãe e olhou cada pedacinho daquela casa onde cresceu.
Comeu bolo de fubá e brincou com as cadelas no quintal.
Resolveu que iria para algum bar. Não tinha mais amigos naquela cidade. Então tomou coragem e foi só.
Viu uma fila na porta de um café. Resolveu que era ali que ficaria. Depois de quinze minutos na fila conseguiu entrar.
Sentou-se no cantinho onde era quase imperceptível e pediu uma cerveja.
Por muito tempo ficou com seus pensamentos que eram tão barulhentos quanto aquela música alta que tocava na pista.
Quando ele resolveu olhar para frente, mirou direto nos olhos daquele cara que estava do outro lado do balcão. O cara do balcão tinha cabelos prateados e olhos esverdeados como quem está apaixonado. Era um sorriso que iluminava todo o ambiente.
O cara sorriu para ele e se aproximou.
Três palavras daquele cara e ele o beijou. O beijou muito, como se quisesse pegar um fôlego de vida, vindo daqueles lábios.
Após sua ressurreição e depois daquele beijo ele só queria viver. Esqueceu-se o que era a dor. Sentiu sua alma novamente.
Naquele feriado ele tinha se decidido. Iria se despedir de seus pais. Viajou quatro horas e chegou sorridente. Pediu bênção ao pai, bênção a mãe e olhou cada pedacinho daquela casa onde cresceu.
Comeu bolo de fubá e brincou com as cadelas no quintal.
Resolveu que iria para algum bar. Não tinha mais amigos naquela cidade. Então tomou coragem e foi só.
Viu uma fila na porta de um café. Resolveu que era ali que ficaria. Depois de quinze minutos na fila conseguiu entrar.
Sentou-se no cantinho onde era quase imperceptível e pediu uma cerveja.
Por muito tempo ficou com seus pensamentos que eram tão barulhentos quanto aquela música alta que tocava na pista.
Quando ele resolveu olhar para frente, mirou direto nos olhos daquele cara que estava do outro lado do balcão. O cara do balcão tinha cabelos prateados e olhos esverdeados como quem está apaixonado. Era um sorriso que iluminava todo o ambiente.
O cara sorriu para ele e se aproximou.
Três palavras daquele cara e ele o beijou. O beijou muito, como se quisesse pegar um fôlego de vida, vindo daqueles lábios.
Após sua ressurreição e depois daquele beijo ele só queria viver. Esqueceu-se o que era a dor. Sentiu sua alma novamente.
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