Bombardeios
Mais um dia nublado,
e a vontade de sair da cama não sorria para ela. Balaústre. Enquanto ela olhava para o teto pensava nessa palavra. Para
ela, essa era a palavra mais bonita que existia. O sentido de ornamentação que
a palavra trazia também era lindo. Integridade, essa foi a segunda palavra que
ela pensou. Não achava essa palavra tão bonita, porque a falta dela trazia algo
que ela não queria sentir. Felicidade foi essa palavra que ela sentiu por muito
tempo. Foi deitada que ela uniu os três significados. Foi feliz, íntegra e foi
um ornamento. A última constatação doeu. Foi ornamento.
Para ela, doía ser ornamento, pois este sai de moda, entra em desuso e
logo, o que antes era ornado, passa a exigir algo mais novo, mais belo e o
antigo ornamento é descartado como se nunca tivesse trazido beleza alguma.
Seu coração estava um bombardeio. Era raiva misturada com dor. Por muito tempo aconteceu com ela, o que
acontece com várias outras. Foi torturada psicologicamente. Sempre ouvia
críticas pesadas a respeito de sua leveza de ser. Queriam que ela fosse
gigante, que fosse educada e durona. A cada tentativa de ser gigante ou educada
era um tapa na alma. Eram críticas destrutivas.
A certeza que ele tinha em fazer tanta dor na mente daquela mulher, era o
amor que ela sentia por ele. Por diversas vezes ela o socorreu quando ele chorou
e se anulou de sua dor para ser forte para ele, e naquele momento, quando ela
estava rastejando pelos bombardeios sofridos, ele foi embora caminhando.
Arrastando-se ela foi até o armário. Arrumou as malas, chorou caída no
chão, pois os bombardeios a deixaram muito feriada, mas ela ainda tinha força.
Lembrava-se da força que tirava, sabe se lá de onde, para deixá-lo de pé. A
maioria das coisas que estavam no armário não lhe seria útil. O que realmente
seria útil era a sua imagem diante do espelho.
Diante do espelho ela cuidadosamente delineou seus olhos, passou o mais
belo batom, cobriu o rosto com uma maquiagem suave e arrastou sua mala até a
porta. Sem trancar a porta ela partiu para o bombardeio, foi ser feliz.
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