domingo, 1 de julho de 2012

Uma taça de vinho


Sentada em uma janela do décimo oitavo andar ela olhava a cidade, sabia que ele estava lá, em algum lugar, talvez dentro de um carro, talvez com os amigos caretas, talvez cheirando com os amigos doidões. Sozinha, naquele quarto, ela pensava em quando tudo mudou, onde foi o momento exato que a quebra aconteceu.  Com uma mão ela segurava um cigarro e com a outra uma taça de vinho, entre um trago e outro quebrava a cabeça querendo o momento exato em que tudo se dividiu. Pensou numa briga aqui, numa discussão ali e nunca chegava ao resultado. Nem o mais sábio dos matemáticos conseguiria resolver esta questão. Ontem ela dizia que o amava e hoje ela olha tudo aquilo com distância. Talvez já não o ame mais, tudo se tornou indiferente. Entre uma tragada e outra pedia para si mesma não deixar aquele amor acabar,  mas como um golpe do destino seu celular tocou. Era ele. Após onze dias que ele havia partido aquele era o primeiro contato. Ele perguntou se poderia passar no apartamento e imediatamente a raiva passou e a felicidade tomou conta de todo o quarto, de todo o seu ser. Imediatamente levou a taça para a cozinha, limpou o cinzeiro, jogou perfume pela casa, lavou o rosto, escovou os dentes, simulou algumas caras na frente do espelho para não parecer deprimida, tirou o pijama e colocou uma roupa mais despojada – aquele tipo de roupa de quem está bem em casa, tranqüilo.  A campanhinha tocou, ela aguardou um minuto aproximadamente, se olhando no espelho e tentando fazer cara de que estava bem, tentando controlar o coração que batia mais que uma britadeira em seu peito. A campanhinha tocou de novo. Ela jogou mais um pouco de perfume pela casa e foi abrir a porta. Quando abriu a porta o olhou com um sorriso verdadeiro. Ele a abraçou, entrou e disse:_ Vim buscar minhas coisas e te entregar as chaves.
Ela gaguejou um silêncio, enquanto pegava as chaves das mãos dele.
Em quinze minutos ele arrumou suas malas e se foi.
Ela voltou para a janela, pegou novamente a taça de vinho, acendeu outro cigarro e chorou...